Homem pra valer

Sou alucinada por gente autêntica. Fã mesmo, de carteirinha. Para que filtro entre a cabeça e a boca quando o assunto é o que te faz feliz, não é mesmo?

Estudei com uma figura na faculdade. Era puro entusiasmo. Não esqueço os olhos brilhando ao encher a boca e falar do seu amor, do seu homem. Depois das belas noites então, nem se fala! Mordia o lábio e dizia: “Que homem delicioso esse meu!”. Pensa que o cara era o “deus grego” que esse povo idiota formata? Era nada, passaria desapercebido por aí. O que então a minha linda colega via no cara? Via o homem dela!

Cada mulher tem o seu ou sabe muito bem o que procura em um homem, digo mais, sabe até pelo cheiro. Se quer pensar em conta bancária, status social ou embalagem engomada, fica à vontade, afinal, tal tipo não me rouba um segundo de reflexão. Gosto mesmo de homem, sim homem pra valer, do tipo quase em extinção, que sabe ser homem, que ama mesmo, que sente falta e mata a falta do jeito que for, que diz o que pensa e age como sente, que quer uma mulher única e não uma boneca, que não pergunta pra beijar, que pega pela cintura a mulher que é sua, que encaixa o seu corpo ao dela na cama e nem pensa duas vezes para acordá-la no meio da madrugada porque desejo não espera.

Homem que só fala não acrescenta. Tem que dizer com os olhos, com as mãos, com o corpo todo. Patifaria de papo de macho que não come sua própria mulher com os olhos irrita. Tem que falar só pra registrar o que já faz, pra agradar, pra seduzir, pra provocar. Homem de verdade dá gosto de estar do lado e orgulho até quando soletra suas sacanagens, quando perde o pudor por você.

Bom mesmo é se te tira e devolve a paz, o sono, te rouba os pensamentos, te intriga, te instiga, te completa. Homem de verdade dá segurança pelo que é, está presente e é parte, não um simples adorno.

Existe? Espero que sim.

Não adiantar beijar!

Tenho me esforçado. É sério! Não é falta de vontade não. Esse negócio de ficar pensando que existe sim um homem pra você, e você sabe quem é, pode ser perigoso (e solitário demais, ultrapassando o poético), então prefiro repetir – até acreditar – que existem homens que podem me fazer feliz, não um único e só ele. Esse treco de plenitude total nem combina com a vida real.

O saco é que tem muita tranqueira por aí e muitos que são apenas “muletas”. Quem nunca teve um relacionamento muleta que atire a primeira pedra. Me toquei que levei um assim por muito tempo, um tapa-buraco, uma autotapiação. Sabe aquele homem bonito, gostoso e bom de cama que você faz de conta que ele pode, um dia, ser mais do que um rostinho/corpão bonito? É o tipo de ilusão que você alimenta sozinha, ninguém mais no universo acredita, muito menos o cara, apesar do discurso dizer o contrário. Você o mantém pra ter fé na humanidade, ou melhor, fé na sua capacidade de esperar dos outros o que eles não podem dar, por princípio.

Chutei uma muleta há umas semanas atrás, a mais gostosa delas – o mais gostoso, para ser mais exata. Deu uma dorzinha aqui dentro do peito, mas nem incomodou muito. Chorei uma noite… tá… umas horas. Chutar ilusão é infinitamente mais simples do que terminar relacionamentos concretos. Terminar com um tapa-buraco é simples, basta lembrar que não resolvia nada mesmo. Injusta eu… Resolvia sim, com uma boa transa, quando acontecia o milagre da conjunção estelar tornar o encontro íntimo o suficiente pra isso. Era o famoso P.A. que vive tentando se vender como o homem ideal para a vida inteira (do conto de fadas, só se for!) e a gente “compra” pra se enganar e fazer de conta que tem alguma ligação emocional com alguém. É o tipo de sapo você pode beijar a vontade que não vira príncipe nunca! rs

Hoje ficou claro que valeu tirar essa muleta da história. Sorte que aprendo, mesmo que demore.

Apenas pano de fundo

Quando comecei o blog tinha um objetivo definido: escrever tudo, inclusive todas as “bobagens” que meu coração e mente produzissem. Jogar limpo, mesmo que fosse impactar ou incomodar. Projetei textos sem nenhuma censura.

Não era para escrever sobre amor…

Alguma coisa acontece quando você resolve não ter máscara nenhuma nem para você mesmo. Fica perigoso. É estranho olhar para dentro de mim e ver que a maioria das coisas que “escondo” são sobre amor e o restante é apenas pano de fundo.

Sou tão polêmica, crítica, cheia de posições bem defendidas por serem experimentadas, e, ainda assim… É amor que transborda. Fujo dele nos textos e… se olhar bem… falei de outra coisa até agora? Não.

Frase de três palavras

image

Se é para perder um braço de ferro, se é para abaixar a guarda, que seja por amor. Nem interessa muito qual o tipo de amor, desde que seja sincero e corajoso.

Sou teimosa, como toda autêntica taurina. Sorte não ser burra. Se fosse, passaria muita raiva; seria insuportável. Detesto admitir que estou errada, mas faço com paz de espírito quando concluo que é o correto a fazer. Admito, assumo tudo, todas as bobagens, e não economizo pedidos de perdão se feri alguém. Até aí… normal! Quem não erra?!

Agora… Difícil mesmo é quando não estou errada e do outro lado está alguém que amo. Estar certa não traz felicidade, não anula a solidão, não neutraliza a dor da saudade, não enterra sentimentos. Bater no peito e aclamar a própria sabedoria não aproxima, ao contrário… (nem é sábio isso)

O que acontece é que pondero e, geralmente, prefiro que minhas razões afastem mesmo quem me faz mal. Estava dando certo até que hoje meu paradigma ficou ali, em pedaços, diante dos meus olhos. Um aperto tão forte no coração, dia após dia, culminou em uma atitude que nem combina com a durona que vendo ser. Apertei os olhos, provoquei silêncio dentro de mim e decidi, sem muita reflexão…

Uma frase de três palavras, uma interrogação tímida e um botão “enviar” foram mais forte do que minha dor constante e silenciosa de quase um ano de distância:

Podemos nos ver?

A resposta tão direta quanto a pergunta, veio segundos depois, como se tivesse permanecido todo tempo ali,esperando:

Sim.

E agora? Ainda não sei…

Alma gêmea. Amor eterno.

image
Existe uma lenda. Uma que conta que há um homem, um único, que nasceu para ser seu e você dele, e este é o sinônimo da perfeição e felicidade pra sua vida.

Alguém contou a história errada. Esse homem existe, mas não é perfeito, nem é a chave da sua felicidade. Ele simplesmente existe e nasceu sim para você como você para ele e apenas isso.

O meu existe e essa verdade e certeza me torturam, dia após dia.

Ele não é perfeito, mas é com o cheiro dele que sonho todas as noites e é por ele que só faço nutrir decepções dos outros tantos que nunca nem se assemelham a ele ou ao que ele me provoca.

O homem da minha vida é a outra parte de mim. Aquela mais fraca, mais vulnerável, aquela que se entrega, que foge. O homem da minha vida é o que vai me ver todas as vezes que fechar os olhos, mas não tem forças para escolher por mim, porque as drogas o escolheram antes, em um momento traiçoeiro que eu não estava perto.

O que há de errado no mundo que tirou de mim meu bem mais precioso?

Vai se jogar no chão?

image
Chato esse lance de tristeza. Chato e desnecessário. Tristeza é muito reflexo de expectativas e medo. Poucas coisas são tão perigosas quanto estas. Decepções só existem porque alimentamos ilusões, criamos histórias “bonitas” com personagens perfeitamente previsíveis, que correspondem com exatidão aos nossos anseios. Dá pra perceber o quanto isso é egoísta?

Ficamos tristes porque “ciclano” não nos ama, porque “beltrano” não nos prioriza; ou porque a vida é difícil e os problemas nos rodeiam, como se fosse exclusividade nossa. Aí nos colocamos a roupagem de coitados, desvalorizados, sofridos. Que papo mais furado! O objetivo da sua vida é ser visto assim? Se for, até na dissimulação está errando, afinal, é tudo uma bela farsa. Queremos mesmo é que nos inflem o ego, que nos bajulem, que nos adorem. Ah! E ainda precisa ser do jeito e na hora que desejamos.

Somos nós o centro do Universo? Mandamos no que quer que seja? Nem dos nossos próprios sentimentos somos senhores absolutos, que dizer dos alheios?!

É, de fato, egoísmo querer que alguém pense em você. Não há como um sentimento tão mimado ser correto. Só pode preencher o coração, os pensamentos espontâneos e as atitudes sinceras. Essa é a verdade. O resto é pouco.

Essa é a clareza que perturba nas minhas próprias tristezas…

Beijo de amor

O maior risco que corremos, com essa rotina maluca e essa vida de desilusões, é nos anestesiar. Uma hora você até se relaciona, conversa, toca, beija, transa, até se compromete, assume relacionamentos sérios, casa, tem filhos. Relaxa, se diverte, mas não sente. Não como antes. É muito falta de fé. Vivi assim muitos anos depois da última vez que perdi o chão… até que o universo parou por um instante…

Anos, muitos anos, sem nem saber do homem em quem pensei todos os dias desde que o conheci. Disfarcei bem, namorei muito e muitos, quase casei com o homem “perfeito”, beijei tantos e transei com muitos outros. Sempre gostei da coisa. Tudo parecia divertido, bom, de alguma forma. Ninguém diria o contrário. Ninguém nunca precisaria saber que ainda me lembrava dele.

Só que a vida não cansa de nos pregar peças e o mundo girou tanto que o trouxe de volta, como um susto. Na escadaria da Catedral da Sé eu olhava para os lados, sem saber de onde ele viria e se o reconheceria. Idiota eu. O reconheceria de qualquer forma, pelo cheiro. Ele chegou. Fixou os olhos nos meus. Subiu a escadaria e me beijou.

Naquele momento soube que não lembrava mais o que era ser beijada com amor… É tão raro, tão necessário, tão forte… tão nosso. E é tanto amor que um beijo pode revelar.

Em alguns momentos queria apenas o nosso beijo… Nada mais.

Profecia de avó

image

Convivi poucos anos com minha avó materna. Ela faleceu quando eu era só uma menina ainda. Morreu quieta, sentadinha na cadeira, de tristeza e de saudade do meu avô. A vida dela escoou quando seu amor se foi.

O curioso é que foi ela quem mais me deixou marcas e com quem mais me pareço, de quem herdei o gênio. Pequena, brava, cuidadosa e dormia de lado, encolhidinha e empacotada nas cobertas como eu. Foi na mesa dela que ensaiei os primeiros rabiscos em todos os papéis que via pela frente e com ela aprendi a cozinhar com o coração.

Foi dela que ouvi frases que nunca esqueci e, mesmo tantos anos depois, nelas reflito e baseio decisões… Lembro até do brilho e da profundidade que as palavras ganhavam através dos seus olhos azuis… Exemplo? Minha tatuagem é uma borboleta porque ela dizia que se uma pousasse sobre mim, traria felicidade. Aqui está, pousou pra sempre.

Porém, uma de suas afirmações me amedronta até hoje: só se ama de verdade uma única vez.

Por que o medo? Porque se for mesmo assim… já amei a minha vez.

Amor não se pede

Se há necessidade de pedir amor, carinho, atenção, o sentimento já não existe. Como pedir que quem quer que seja pense em nós, sinta nossa falta, nos priorize? Como esperar que alguém retribua o que sentimos se isso não for natural? Não dá…

Me irrito com quem pensa que palavras sem ações preenchem vazios… na alma, no sofá, nos vãos entre os dedos, na cama, na vida. Pode ser a melhor das composições, elaborada e até poética. Pode funcionar uma, duas, três vezes. Depois viram linhas vazias, pobres, para não dizer que são insultos que substimam a inteligência emocional até dos que preferem não se desenvolver muito nessa “área”.

São torpedos, mensagens, emails… Sem toque nem olhar, sem calor, sem presença. Desculpas disfarçadas de impossibilidades. Nada se concretiza, apenas cria-se expectativas e aprofunda-se frustrações. Seria mais honesto libertar, mas alguma valia tem manter aprisionado um amor sincero. Faz mal só para quem aceita a algema.

O amor é o que o amor faz, não o que diz. Não se alimente de palavras, de migalhas, nunca.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.