Amor real

eraumavez

Estava aqui pensando num livro que me surpreendeu muito (Governe Seu Mundo)… Fala justamente do perigo da esperança e do medo. Sonhamos muito, criamos expectativas (tô falando de mim também, ok?). Acontece naturalmente, até pela construção do indivíduo… Quando crianças, absorvemos tudo: o que vemos, ouvimos e vivenciamos. Somos verdadeiras esponjas emocionais. Reagimos aos estímulos. É instinto. Acreditamos nos modelos que nos apresentam e nem temos capacidade de desenvolver uma visão crítica sobre isso, apesar de já parecer bem incoerente em alguns casos se comparado à realidade. Essa visão vem muitos anos depois ou (para alguns) nunca vem.

Porém, nem sempre o que nos ensinam é o certo e quase nunca é o real. É gostoso viver a época das fantasias, dos contos de fadas, do lúdico? É… é sim. Mas a fantasia devia acabar a partir de certo momento. Alguém tinha que dizer que “aquilo” é só uma estória, que a realidade é diferente, que Príncipe Encantado, Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem, que para conseguir as coisas na vida precisamos batalhar muito, “ralar o cú na ostra” (como diz uma amiga minha… rs), nada caí do céu e, se cair, é preciso estar muito atento… afinal, ou é engano ou é uma rara oportunidade. Não sou psicóloga, só que não acredito que a verdade afetaria tanto o imaginário infantil já que a criançada inventa brincadeira de tudo mesmo!

Meninas crescem sonhando com o príncipe encantado, achando que uma música romântica tocará ao fundo quando o vir pela primeira vez e que viverão felizes para sempre, num castelo encantado; isso sem falar nessa mania besta de brincar de casinha (nem todas…rs) e no estímulo constante ao consumo. Meninos crescem treinando para serem “Dom Juan”, competindo em tudo desde os primeiros anos, valorizando quantidade, tamanho e falação (nem sempre acompanhada de verdade). Dá pra entender que uma coisa não encaixa na outra? Dá pra sacar que tem alguma coisa errada nas expectativas criadas desde antes de termos consciência do que quer que seja? Homens e mulheres atrás de histórias que não se encaixam. Esperando dos outros o que estes não podem dar. Por que não podem dar? Porque não é assim, oras! Relação nenhuma é perfeita, e sim real, possível. Quem vive esperando o perfeito, não vive, se engana.

Se formos pensar em padrões (com muitas exceções): Mulheres reclamando do futebol, do videogame, dos comentários sobre os “quadris” avantajados na tv, da cerveja e dos happys da vida. Homens reclamando das novelas, dos filmes de mulherzinha, dos silenciosos olhares para os gostosões da tv, da comida saudável e dos encontros de família e com as amigas. O que é importante fica de lado no meio de tanta bobagem. Adianta reclamar, povo? Que tal respeitar as diferenças e os espaços? Que tal aprender no lugar de afastar? Será tão impossível assim conviver com prazer, sem mil pedras na mão?

O homem da sua vida não chega num cavalo branco e muitas vezes nem se parece com um cavalheiro e, se esse papo de “homem da vida” existe, ele não é um resultado de boa pontuação na sua “lista de exigências”. Ele é, sim, o homem que te faz contemplar o mundo de um jeito mais feliz, mais leve, mais seguro… é alguém que acrescenta, que completa… que compartilha dos seus planos e os respeita… que caminha do seu lado, não na sua frente ou atrás de você… que está olhando na mesma direção… Ah! Ele vai pisar na bola com você um montão de vezes e você terá que decidir se mesmo assim ele te faz bem de verdade. Isso é real. O restante é papo-pra-boi-dormir.

Se a mulher que você busca é perfeita… Sinto dizer, mas ela também não existe. Princesas encantadas não existem. Não somos todas lindas, gostosas (e mudas – como alguns tanto desejariam). Ela pode ser, sim, uma mulher disposta a te dedicar amor e cuidado… que escolheu você (e não um montão de vocês)… alguém que te faça bem… que te faça sentir importante… alguém que se interesse pelo seu mundo e não se importe de encarar tudo do seu lado… que te ajude a crescer e não te empurre pro fundo do poço por puro prazer. Ah! Temos um milhão de momentos que nem nós mesmas nos suportamos, que o limite chega. Nem sempre dá pra tirar vocês da jogada para que não sobre nenhuma farpa. Eu posso dizer que tento, mas nem sempre consigo. Imagina o montão de mulheres que nem se toca que precisa, ao menos, tentar?

Só que mesmo com tudo “errado” as pessoas se completam, precisam umas das outras, buscam a felicidade o tempo todo e o desafio é ter sabedoria o suficiente para identificar quem te faz uma pessoa melhor, quem é o homem ou mulher que faz sua vida mais alegre, que nota quando você precisa de um carinho no rosto, de um beijo na boca ou de um simples “você está linda(o)” ou “obrigado(a)” ou “senti saudade”, que vai te ajudar a construir um futuro feliz, mesmo sabendo que os espinhos vem junto com as flores… e que não tenha medo disso!

Não precisa ser muito inteligente hoje para sacar que as diferenças entre homens e mulheres não são mais tão evidentes. Não existem mais “erros masculinos” e “erros femininos”, “trabalho de homem” e “trabalho de mulher”. Todo mundo sai de casa pra trabalhar, para se divertir e tem liberdade de fazer escolhas e aguentar as consequências. Todos querem esse “privilégio”, mas poucos assumem a responsabilidade que ele acarreta. Os resultados não são mais tão previsíveis. Você pode sim pisar na bola com alguém que te ame, mas não pode mais esperar que o resultado seja o simples perdão. As “mulheres de malandro” estão em número bem reduzido se comparado há décadas atrás. As pessoas querem ser bem tratadas, amadas, cuidadas, respeitadas. Não humilhadas e traídas. Ninguém precisa disso.

Não pensem que fujo a todas as regras. Não fujo não. Também quiseram me ensinar essas baboseiras de contos de fadas e eu até me esforcei para acreditar um pouquinho nelas (deu errado! rs). Só sou um pouco diferente porque a minha realidade nunca combinou com aquelas estórinhas sem-pé-nem-cabeça. Logo cedo a vida fez questão de me provar que não era cor-de-rosa. Tive que escolher pegar os potinhos de tinta colorida, por conta própria, e colocar alegria no meu caminho. Foi o que fiz e faço até hoje.

Esse papo de que “os homens (ou as mulheres) são todos(as) iguais” é só um jeito diferente de dizer que não quer fazer SUA PARTE. As pessoas não são iguais, em nada. Cada um carrega uma história de vida diferente e isso vai afetar, inevitavelmente, suas atitudes e decisões. O problema é que as pessoas só pensam em si mesmas, só buscam seus próprios interesses e não tem disposição para observar e se doar ao outro. Só querem receber, ter, possuir. Não querem compartilhar, construir, aprender.

Eu quero aprender… sempre… inclusive a ser uma pessoa melhor. O crescimento é meu. 

Curto estar ao lado de gente diferente de mim, que teve uma criação diferente da minha, que construiu seu caráter em circunstâncias diferentes… É sempre um mundo novo que se abre na minha frente, mesmo quando eu não o entendo plenamente. É o mundo real, mesmo que não seja exatamente o mundo* que conheci num primeiro momento (ah.. é aquele meu mundo bem fora da curva, tá? rs).

O fantástico é amar e ser amado fora dos padrões de perfeição. Amar em via de mão dupla. Amar sabendo que o ser amado é imperfeito e você o ama assim mesmo e quer ser melhor para fazê-lo feliz. Amar quem é (ou parece ser) perfeito e quando tudo vai bem é tão fácil… só que é ilusão. A vida não é fácil, nem simples. Amar é pra quem tem coragem. Coragem sim, inclusive para ir contra os ditos da sociedade, os formatos pré-moldados. Amar é passar por tudo juntos com respeito pelas necessidades e sentimentos do outro, mesmo quando é difícil pra gente.

Acredito, de verdade, que as pessoas teriam menos marcas de sofrimento se vivessem atentas a realidade sua e do outro… Posso estar errada? Posso… Só tenho certeza absoluta que todo mundo quer ser feliz e isso só é possível na vida real.

Mas… e se você não está feliz? Se os defeitos são mais fortes do que as qualidades? Se todas as cartas já estão na mesa e nada muda? Vira a página e segue pra descobrir o que o próximo capítulo te reserva. Não se prenda a uma página de tristeza. As palavras não se soltam do papel para formar outras frases só porque você precisa.

Mas… e se você sente algo muito especial e muito forte por alguém e ainda não disse, diga hoje. O comércio inventou esse papo de Dia dos Namorados para vender mais; invente VOCÊ um motivo maior e mais profundo para tudo isso e demonstre mais! E depois… invente outros novos motivos, outros dias, afinal sentimento nenhum vive de um dia só.

Contos de fadas são contos, delírios, não verdade. A vida está aí, na sua frente, no seu presente, e o agora é o único momento que você tem pra mudar alguma coisa.

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