Coisas de valor

meu arco lindo

Você certamente já teve dias estranhos, onde coisas que não te importam, de repente, tornam-se um problema ou incômodo. Ficam lá martelando sua cabeça e te colocando pra baixo. Geralmente passa logo, mas se você não estiver atento e não entender as razões, corre o risco de só jogar sentimentos ruins debaixo do tapete e perder a oportunidade de aprender algo para a sua felicidade.

Tive uma semana inteira assim, complexa. Muitos ensinamentos e reflexões sim, como tanto gosto, mas o “tema” foi diferente. Todas as tensões (internas) tinham relação direta com posses, com “coisas”, dinheiro, bens de menor ou maior valor monetário. Estranhei porque não sou ligada nisso… Tenho, inclusive, uma lista bem pequena (cabe em uma mão e sobram dedos) de “coisas” que sonho ter e até essas tem significado profundo, não pura ambição. Então… por me senti assim? O que tinha que aprender com esses sentimentos? O que eu precisava entender ou reafirmar sobre mim mesma?

A resposta veio quando entrei no meu quarto, chateada depois de vários pensamentos conflitantes, e vi meu arco…

Fiquei um tempo tentando escrever porque fiz a foto acima e desisti. O sentimento foi tão profundo e tão revelador que precisei pegar a câmera (que também é parte do que existe dentro de mim) e traduzir em uma única imagem o valor que esse presente tem pra mim.

Não sei se vocês vão entender, de ver a foto, mas se pudesse colocar uma legenda seria essa:

Prefiro sim coisas que tem verdadeiro valor e essas luto para preservar. O restante não reflete quem eu sou e tenho todo o direito de pensar diferente. Quem cria a minha realidade sou eu.

Afinidade

Afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro
retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto
no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos
verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que
as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar
a um não afim, sai simples e claro diante
de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam. É ficar conversando
sem trocar palavras. É receber o que vem do
outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar
o que está sentindo. É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais
esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades
exercidas quanto das impossibilidade vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela
vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro sob a
forma ampliada do eu individual aprimorado.

autor desconhecido

maosdadas